A partir de agora, postarei os novos capítulos neste link:
http://herzfiction.wordpress.com/
Hoje mesmo postarei capítulo novo. Confiram lá! Até!
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Mudança de endereço
Postado por .Str.s.crm. . às 21:28
sábado, 8 de agosto de 2009
Pequeno esclarecimento
Perdoem pela falta de capítulos novos. Eu já os fiz em um arquivo aqui, mas acabei não postando. Voltarei a postá-los a partir de hoje. Desculpem o sumiço.
Postado por .Str.s.crm. . às 20:32
domingo, 28 de junho de 2009
Ich, der Tod, Kohaku und eine Tasse Tee.
Londres, Primeiro de Abril, meio-dia: Ich, der Tod, Kohaku und eine Tasse Tee.
Mal passaram os ocorridos no empório, e Leslie já se via às voltas com ter de se encontrar com Bella, para perdoá-la. Isto não fez com que ela digerisse tudo o que aconteceu naquele dia: Ficar com Haku, ver a morte, ter de lidar com tudo.
Foi sua primeira experiência com outra mulher, e ela obviamente estava confusa. Como Bella já namorava Klaudi havia três anos, resolveu pedir conselhos sobre como lidar com a situação para ela, algo que ela jamais havia feito. Leslie resolveu ligar para Bella ainda cedo, pois queria resolver a situação o quanto antes, fato que agradou bastante a irmã.
Saiu do apartamento sem tomar café, apenas se despediu de Kasumi e Haku. Combinou de pegar Bella no hotel onde ela havia se hospedado, pois já estava bem habituada a andar pela cidade. Chegou rápido ao hotel, mas nem precisou entrar, Bella já a esperava do lado de fora. Felizmente o dia não estava muito frio.
- Oi. Vim assim que pude.
- Oi, Leslie. Vamos entrar?
- Sim, quero conversar bastante com você.
- Eu também...
As duas subiram até o quarto onde Bella estava, no primeiro andar, número 20.
- E aí? Pensou? – Bella não escondia sua aflição.
- Sim, pensei.
- Ai. E qual sua decisão? Eu estou pronta pra ouvir.
- Decidi que vou te perdoar. Andei me aconselhando, e vi que o que você me disse aquele dia, apesar de muito grave, foi muito mais baseado no susto e na cabeça quente do que em algum sentimento seu quanto a mim. Não vale a pena perder uma irmã por um motivo destes.
- Sério? Você me perdoa, mesmo?
- Perdôo. Eu nunca te disse nada porque tinha medo de você não entender, mas nunca quis fazer algo com você.
- Te prometo que vou tentar ser mais compreensiva. Agora eu tenho uma idéia de como é a sensação. Sabe, foi muito difícil de entender que minha irmã mais nova tinha esse tipo de, digamos, coisa. Então acabei agindo feito idiota.
- Não quero que você me prometa isso, quero que seja. Eu preciso de você na minha vida. – Leslie abraçou Bella, como não fazia havia meses.
- Eu também. Não precisaram falar nada além disso.
O fato de se abraçarem era a maior demonstração do quanto uma sentia falta da outra. Ambas tinham pontos a ser melhorados, e juntas isso seria muito mais fácil. A partir daquele ponto, começaram a botar a conversa em dia. Bella sempre fora muito falante, e Leslie gostava de ouví-la falar.
- E daí a Klaudi acabou vestindo a blusa do avesso. Só percebeu quando chegou na empresa, hahhahaha. Eu ri a lot.
- Hahaha, ela sempre foi atrapalhada. – Leslie fez uma pausa. – Bom, tem algo que eu preciso te perguntar.
- O que?
- Putz, é até chato de dizer...
- Ué, só diz.
- É que aconteceu uma coisa...
- O que? Você transou?
- NÃO! NÃO É ISSO!
- Hahaha. Sabia que ia gritar! Sempre grita comigo quando falo em sexo.
- Filha da... Não é isso! Eu continuo virgem! – Vermelha.
- Hahahaha. O que aconteceu, então? Ficou com um cara?
- Não foi com um cara... - Não? Ficou com mais do que um?
- Eu não sou puta, porra.
- Ué, fala claramente então.
- Fiquei com uma garota ontem...
- WHAT THE FUCK??? JUSTO VOCÊ, QUE É TÃO CERTINHA??
- Ai, para, vai. Preciso de conselhos, não de bullying.
- Tá, desculpa. Mas, como foi? Fiquei curiosa agora.
- Nossa, foi estranho, mas foi ótimo. Ela beija muito bem, haha. – Vermelha novamente.
- Sério? Como tá se sentindo?
- Confusa... Não sei o que fazer.
- Por que? Se só ficou, capaz que nem a veja mais.
- Aí que tá. Ela é a dona do apartamento, a Haku.
- Nossa, Leslie. Isso é surpreendente.
- E você diz isso pra mim? Ninguém nunca me beijou daquele jeito.
- Hahaha, pelo visto você curtiu bastante, que bom. No começo é complicado. Lembro que me senti até mal depois de beijar a Klaudi.
- Pois é. Agora não sei o que fazer. Não dá pra eu evitar a dona do local onde estou morando, né.
- Ah, você seria muito infantil se evitasse ela, ainda mais você me dizendo que curtiu muito.
- Então o que eu faço? Você tem experiência nisso, eu não.
- Ué, deixa fluir. Se vocês se curtem, tentar evitar é, no mínimo, criancice.
- Então você acha que devo continuar?
- Se você e ela querem, óbvio que devem. Fico feliz por você experimentar coisas novas.
- Ontem foi tudo muito estranho... Haha, ainda me sinto zonza.
- Ah, é normal. Conforme vocês forem se conhecendo, isso passa. E já cansei de te dizer que você precisa se conhecer melhor.
- Eu sei, eu sei. Mas é que nunca conheci alguém legal.
- Eu sei disso. Mas pelo visto agora é diferente. Eu bem que reparei nos olhos de comilona dela pra você.
- Reparou, é?
- Sim. Você sabe que sou boa nisso.
- É verdade. Ai Bella, tô tão confusa! – Leslie até descabelou-se.
- Li, no começo a gente fica assim, mesmo. Como eu já disse, deixa a coisa fluir. Você não perde nada se tentar. Se não der certo, paciência. Ao menos você tentou.
- Eu não sei lidar com isso, haha.
- Normal. Você precisa sentir mais, ousar mais. Mas logo você pega o gosto e se acostuma.
- Nossa, tô pensando no nosso pai.
- Haha. Até parece que ele estranharia... Aliás, ele até acharia bom que você tivesse alguém.
- É, acho que sim. Mas eu não sei o que vai acontecer.
- Talvez não aconteça mais nada, talvez vocês até namorem. Aff Li, larga de ser medrosa. Um dia você vai namorar, transar. Pra que esse medo todo?
- Não tô com medo, só confusa.
- Tá com medo, também. Ué, se a Haku é legal, vale a pena investir numa relação. Vai por mim. – Bella deu um tapa no ombro de Leslie.
- Pior que a hora que saí ela me olhou com uma cara...
- Cara de quem quer mais.
- Será?
- Óbvio. Nunca ouviu aquilo de “toda mulher espera receber uma ligação no dia seguinte”?
- Mas o que tem isso a ver?
- Tudo. Claro que ela espera que você faça algo. Vai preparando umas lingeries melhores.
- Credo! Como você é! Eu mal beijei e você já me diz pra comprar calcinhas??
- Blá, até parece uma menininha. Até parece que ela não reparou nesse corpão todo. Humpf.
- Nossa, como você é pervertida!
- Pervertida nada, prática. Morrer virgem você não vai.
- Você fala assim e nós só demos uns beijos.
- Isso é o que você diz agora. Eu conheço você. Sei desse brilho nesses olhos verdes.
- Que brilho???
- Brilho de quem tá apaixonada. E é recíproco.
- Bom, tem algo muito forte rolando, com certeza.
- Ai, que bom! Leslie tá namorando! Lalalalala!
- BESTA! ERA MELHOR EU PEDIR CONSELHOS PRA UM MENDIGO NA RUA!
- Ai, nenezinha! Relaxa, só tirei um sarrinho.
- Vai se foder!
- Hahahaha, isso só quando eu voltar pra Berlim.
- Tá. Já me zoou, agora fala sério! O que eu faço?? Porra!
- Caramba, você é loira mesmo! Eu já disse! Deixa a coisa fluir! Se der certo, ótimo. Se não, foda-se.
- Putz, espero conseguir lidar.
- Claro que vai. Você só precisa sair um pouco da concha. Aproveita a chance, você vai gostar.
- Tô com muito medo.
- Vai passar, relaxa.
As duas ficaram conversando até a hora de Bella ir pro aeroporto. O vôo partiria às 18:00. Leslie ficou com ela até o embarque, sentindo-se muito mais leve por fazer as pazes com a irmã, e até menos confusa. Voltou pro apartamento pensando em tudo que Bella havia lhe dito. As sensações eram as mais contraditórias possíveis: por um lado, Leslie queria chegar em casa já beijando e abraçando Haku, mas ao mesmo tempo, achava que ela poderia pensar algo ruim sobre ela. E, claro, havia também a morte. Como lidar com alguém tão conectado com a morte e não temer a mesma? Leslie sentiu um frio na barriga só de pensar.
Lembrou-se então de palavras que sua mãe sempre dizia, quando ela tinha medo de algo: “Não tema os obstáculos que a vida te trará, pois eles serão muitos. Trate-os como eles devem ser tratados: coisas que você superará, custe o que custar”.
E esta era a verdade. Leslie haveria de superar muita coisa ainda, caso quisesse investir num relacionamento, e até mesmo em continuar sua estadia em Londres. Como ela mesma sofria de visões, isso amenizava um pouco. Mas realmente era pouco o alívio. Não havia terminado seu raciocínio e já estava beirando a entrada do prédio de Haku. Meio apreensiva, entrou, tomou o elevador, e subiu.
- Oi. Cheguei. – Deixou o casaco sobre uma mesinha na entrada e seguiu pela sala.
- Olá. E aí? Como foi lá? – Haku, deixando um cigarro no cinzeiro.
- Lembrei do que você me disse, aquele dia, e perdoei. Foi mais fácil do que imaginei que seria. Agora estamos bem. Eu demorei porque esperei o vôo dela partir. – Leslie sorriu.
- Nice. Eu esperava que você fosse fazer isso. Eu disse. Não foi melhor? – Haku levanta e abre o armário. – Kasumi não tá.
- Hã? Não entendi.
- Ela não tá, foi ver Sayako. – Haku pega uma garrafa de vinho. – Quer prosear comigo?
- Claro.
- Então... – Haku se joga no sofá. – Ficou com medo por causa de ontem? Tem algo pra me perguntar?
- Medo? Eu nem sei direito. Só sei que foi muito estranho. Agora... Perguntar? Tipo, como isso começou? Ou quando? Você vê a morte sempre? Como ela aparece? Simplesmente vem e vai?
- Isso começou quando eu nasci. E, bom, como existiram pessoas na minha família que desafiaram espíritos ruins no passado, elas foram alertadas que no futuro nasceria alguém amaldiçoado, e que eles saberiam que seria. Bom, essa sou eu: a amaldiçoada! Haha! Ah, eu a vejo vez ou outra, não é sempre. E sim, ela aparece do nada.
- Mas ela pode fazer algo? Digo, fisicamente?
- Aprendeu recentemente, infelizmente. – Haku bebe. – Bom, na real ela não é bem a morte, é um demônio da morte. Alguém que faz morrer, também.
- Mais ou menos como o cerberus?
- Mais ou menos como um shinigami.
- Erm, desculpa dizer, mas isso me assusta.
- Eu acharia estranho se você não se assustasse. A propósito, ela quer tomar meu corpo, um dia. Por isso não quer que eu sinta amor ou coisas do tipo. “Mãs”, agora eu sei como detê-la.
- Humm, você sempre tem uma resposta. Algo que notei com a convivência. – Leslie deu um sorriso maroto. - Bom, tem mais uma coisa que eu queria saber...
- Pois diga antes que eu fique bêbada.
- Bom, por que me beijou ontem?
- Por que “por que”?
- Ué, algo te motivou a isso. Quero saber o que foi.
- Ah, não vou te contar. – Haku vira-se, e pega mais vinho. Já estava bem “alegrinha”.
- Vai sim. Ninguém sai agarrando ninguém à toa.
- Não, não... Eu não vou te contar, não enche... – Haku estava bêbada, definitivamente.
- Ahhhhhhh! Você vai contar, sim! – Deu um tapa no ombro de Haku.
- Ok, eu não tô bêbada, haha. Bom, eu te beijei porque eu quis, e pelo visto, você também. Fora o fato de você estar me provocando. O bom é que pude te mostrar tudo o que se passa comigo.
- Provocando? Eu? Eu nem sei fazer isso. Sou nada provocativa. Acho que essa parte ficou toda no DNA da Bella. – Leslie franziu a testa.
- Ponha-se no meu lugar.
- No seu lugar? Hum, não creio que tenha provocado algo.
- Ah, esquece. Agora EU que sou a tarada.
- Eu não disse que não gostei. Só disse que não creio ter provocado. Aliás, isso não me sai da cabeça.
- Por que? - Bom, foi tudo muito confuso, mas, muito bom. E agora eu não sei direito o que faço. – Se encolheu no sofá.
- Que bom que gostou, Leslie. Haha. Bom... Leslie... Eu... Gosto de você.
- Gosta? Você diz gostar “gostar”?
- É, pequena tola. – Haku deu um tapa na franja de Leslie, desfazendo-a.
- Nossa, você me pegou de surpresa. Pior que... -
Que...?
- Eu... É... Saco! Você sabe o que eu quero dizer! – Leslie era tímida, embora muitas vezes não parecesse. Ficou mais vermelha que uma piscina de sangue.
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhh! Que bonitinha! – Haku arregalou os olhos e abriu um enorme sorriso.
- E você ainda me zoa...
- Eu não tô te zoando, “Surii”. Hahahaha, parei, vai.
- Bom, eu falei com minha irmã sobre ontem.
- Ah, é? E o que ela achou?
- Achou que eu devia deixar a coisa fluir.
- Eu concordo com a sua irmã. Na real, eu espero que não se preocupe com coisas sobrenaturais. Eu sou bem mais perigosa que aquilo, heh.
- E mais convencida, também, hahah. Mas é sério, eu quero, mas não sei como lidar.
- Nem sou convencida, vou mais pela lógica das coisas... Coisas ruins só aconteceram no passado por que eu não fui atenta nem responsável o suficiente. Mas vem cá, você nunca namorou na vida não, gaijin?
- Nunca. Os caras com quem “tentei”, só pensavam mesmo em transar, e eu não faço o tipo “putinha”.
- Eu era assim... Mas, passou. Bom pra você. Tá certa, mesmo. – Haku olhou pra cima e coçou a cabeça.
- Hahaha, você? Não tem cara. Haku, eu sou tão ruim nisso de relacionamentos, que não sei o que fazer, haha. Deve estar me achando uma idiota.
- Credo! Claro que não! Relaxa. Eu sei que é difícil no começo. Mas, bom, assim... Tá oficializado?
- Tá. – Leslie resolveu seguir o que seu coração dizia, embora a vergonha a fizesse querer enfiar a cabeça num buraco.
- Dã, Leslie. – Haku pega a mão dela. – Faz direito, pôxa. É assim: “Você quer namorar comigo?”. Me responde.
- Hahaha, você me deixa sem graça, assim. Mas, sim, eu quero namorar com você.
- Então pronto. Simples como uma folha de alga marinha. Falando em alga marinha, eu tô com fome.
- Nossa, você vive com fome.
- Mas eu tomei café às 5 da manhã e agora são 4 horas da tarde... Eu vou fazer a janta, não temos Kasumescrava hoje...
- Há! Você cozinha bem?
- Você vai ver se cozinho bem ou não. Agora sai. Vai dar uma volta porque eu detesto cozinhar com gente vendo.
- Ja, mein Kapitän! – Leslie bateu continência para Haku, rindo.
- Você é uma gracinha. – Haku sorri.
- Bom, já que você prefere cozinhar sozinha, acho que vou dar uma volta no centro da cidade. Me liga quando quiser que eu volte.
Haku se despediu de Leslie com um selinho demorado, e foi pra cozinha. Como Leslie estava ainda com a mesma roupa com a qual encontrou Bella, só recolocou o casaco e saiu. Kasumi não estava pois havia ido passar a semana com Sayako, então ficariam apenas Haku e Leslie no apartamento, durante aquela semana.
Haku tirou todos os ingredientes da geladeira, trocou de roupa e colocou as mãos à obra, fez Yakiniku com Moyashi e Shimeji. Fez também Yakissoba, Sushi, Sashimi e Temaki. Para sobremesa, fez Mochi com sorvete. Depois, sentou-se exausta por sobre a mesa, e resolveu ligar para Leslie.
Ela não demorou para voltar. Antes mesmo de entrar no prédio, já podia sentir um aroma bom de comida.
- Oi, voltei. Nossa, que cheiro bom!
- Você vai me dar um trabalho, hein? Haha.
- Hummm. Já andou tendo idéias, pelo visto. Caramba, pelo cheiro, você cozinha bem.
- Nem experimentei, mas a mesa tá pronta, mas não olhe ainda! Preciso tomar banho...
- Ja. Pode ir. Até você voltar já terei comido tudo. Hohoho!
- Faça isso e perca virgindade dos olhos...
- Hohoho. Até você voltar, já poderia ter me mandado.
- Não me faça tomar uma atitude drástica...
- Qual? Descontar na Kasumi? Hohohohoho.
- Levar você pra tomar banho comigo.
- Hahahahaha. You’re such a dreamer. Mas vai, agora eu que tô com fome!
- ... – Haku cerrou os olhos e começou a olhar para Leslie.
- Lalala! Se quer, vem pegar!
- Baka-sama! – Haku foi para o banheiro.
Haku foi pro banho, mas como pretendia ser rápida, foi para a ducha mesmo. Ficou meditando debaixo da ducha depois de passar sabonete liquido de pêssego.
Saiu vestindo uma camiseta cinza com a imagem da Fail Whale e bermudas pretas até o joelho. Exalava o cheiro do sabonete.
- Vem, vamos ver a mesa. – Haku pegou Leslie pela mão e levou até a cozinha.
- Nossa! Tudo ficou tão wunderbar! Você caprichou muito!
- Só pelo cheiro, deve estar. Tô morrendo de fome!
- Então sente-se. – Haku puxou a cadeira para que Leslie se sentasse. – Vou por uma música.
- Hummm, tô gostando disso. Vou te servindo enquanto isso.
Haku escolheu uma música que Leslie achava familiar.
- Isso é Mechanical Moth, não é?
- Sim, eu gosto de dark wave.
- Que legal! Já temos algo em comum! Mas eu achava que você curtia uns screamos, emocores.
- E eu pensei que você curtia um black, viu...
- Metal ou music?
- Music. Haha, não me bate.
- Nada contra, mesmo. Mas meu forte é música eletrônica. E você tem cara de emo, hahahaha. – Serviu Haku.
- Vou ficar quieta. Que bom que você acha que eu sou emo. Que bom, MESMO.
- Hahahaha, brincando só. Mas achava que você curtia sons assim ou góticos.
- Mas eu curto.
- E o que mais você curte? Seu Sushi é o melhor que já comi!
- Obrigada. J-rock, Nu Metal e Neofolk caem bem...
- E fora música?
- Filmes, em especial os de drama. Alguns livros, filosofia.
- Hummmm, legal. Pelo visto não somos muito diferentes.
- Que bom. Eu não suportaria uma garota que curta black.
- Nem eu uma que curta emo.
- Então estamos quites.
- Sim. Agora, trate de comer.
- É. Tá bom, mesmo.
As duas ficaram apreciando o jantar preparado por Haku, e trocando olhares.
- Hora da sobremesa. Gosta de Mochi, né? E sorvete?
- Gosto sim, de ambos.
- Então vem cá, vou te servir.
Leslie havia se levantado para por seu prato na pia, e então foi até Haku, que a puxou sobre seu colo.
- Ai! Você quase me derrubou!
- Cala a boca e experimenta. – Haku cortou um Mochi, que é um bolinho de arroz recheado de sorvete, mergulhou numa calda de morango e botou na boca de Leslie.
- Hum, é bom.
- Olha só! Caiu calda no seu pescoço, que chato isso...
- Pois é. Essa sua mão desastrada derrubou.
- Deixa que eu limpo. – Haku puxou um pouco a gola da camisa de Leslie, deixando a alça do sutiã dela aparecendo, e passou a língua, retirando toda a calda.
- Ai, isso me dá arrepios, hahaha. – Leslie ficou arrepiada.
Haku puxou Leslie mais para perto, segurando-a firmemente pela cintura. Pôde constatar que era bastante fina. Pegou outro pedacinho de mochi e deixou cair bem no meio do pequeno decote, descaradamente.
- Haku, você tem a mão furada, é? – Leslie teve de abrir um pouco a blusa para poder pegar o bolinho.
- Surii, que coisa, hoje eu tô muito descuidada. Vem, deixa eu limpar. – Haku abriu a blusa de Leslie, revelando um sutiã preto, recheado por seios fartos.
- Ei, desse jeito você vai me deixar pelada aqui.
- Como se não fosse essa a intenção.
- Hahaha, você tá vendo muito já.
- Relaxa mulher, sem hipocrisia.
- Haha, o que você pretende? Tá frio aqui.
- Então “bora” pro meu quarto que é quente como o... inferno.
- Haku, espera...
- Calma, não vamos fazer nada demais. Só “brincar um pouco.” – Haku pegou Leslie no colo e a levou para o quarto. Deitou-a na cama.
- É que eu...
- Relaxa. – Haku começou a beijar o colo de Leslie, suavemente.
- Isso é bom...
- Vai ficar ainda melhor. Apenas me deixe fazer as coisas.
- Mas a gente mal começou a namorar.
- Não vamos transar. Relaxa, gaijin.
- Tudo bem.
- Lindo sutiã. Adoro a cor preta.
- Haha, que bom que gostou.
- Sua pele é muito macia. Humm, isso dá ainda mais sabor.
- Hummm, continue. – Haku começou a passar a língua por todo o colo de Leslie, e a abrir o zíper da calça dela.
- Está gostando? Pode melhorar se você tirar o sutiã... – Haku deu um olhar extremamente malicioso para Leslie.
- Haha, apressada você. Vai mais devagar.
- Quero saber onde você fica arrepiada quando tocam. – Haku abriu todo o zíper da calça, e a abriu, vendo a calcinha de Leslie. Preta, como o sutiã.
- Hummm, preta. Hahaha, quero vê-la inteira. Posso?
- Pode... – Leslie sentiu seu corpo aquecer, como se estivesse ao lado de uma lareira.
Haku tirou a calça dela, e ficou observando o corpo generoso em formas que Leslie tinha.
- Ai, ai. Você vai me dar muito trabalho, realmente.
- Não para agora, né?
- Tá, vou continuar. – Haku deitou-se sobre Leslie e começou a beijar seu pescoço, mas agora ousava mais. Já beijava sobre os seios, procurava o fecho do sutiã.
- Ei, quem te deu permissão pra abrir meu sutiã?
- Ninguém, mas ele será aberto e retirado.
- Você sempre consegue o que quer?
- Sempre. Mas, desta vez, é algo que ambas queremos. Abri! – Haku foi soltando o sutiã de Leslie lentamente.
- Haku, não sei se quero.
- Quer. Já li seu corpo, e ele diz claramente que quer ter prazer.
- Mas...
- Sem “mas”. – Haku retirou o sutiã de Leslie, e viu o quão fartos os seios dela eram. Viu também um piercing no mamilo esquerdo.
- Leslie, eles são simplesmente maravilhosos! Quero brincar com eles, haha.
- Bom, já viu. Agora vai ter que brincar mesmo.
- E eu vou. – Haku deixou o pescoço de lado e começou a brincar com o piercing. Alternava entre beijos, lambidas, mordiscadas, uma série em cada seio. Sugava levemente também.
- Isso é muito bom... – Leslie gemia baixinho, totalmente excitada.
- Tô adorando, também. Eles são lindos demais... Firmes.
A brincadeira de Haku continuou. De fato, ela havia se encantado com os seios fartos e o piercing de mamilo que Leslie tinha. Ela nunca havia sido tocada neles, e nem havia estado quase nua com ninguém. Haku dominava seu corpo com facilidade. Segurava os seios dela com força, apertava, e Leslie só fazia gemer. Ela tentou se masturbar por várias vezes, mas Haku a impedia de encostar as mãos em seu corpo, no local onde seria necessário Leslie tocar.
- Não senhora. Você não vai tocar aí. Hoje sou eu quem tocará você.
- Ai. Que sensação é essa? Tô quente, suando.
- Isso é tesão, haha. Quero ver se você usa calcinhas comportadas ou se é mais safadinha. – Haku virou Leslie de costas. – Humm, é pequena. Menina, você tem um potencial e tanto.
- Haha. Me sinto melhor usando assim. Não curto nada muito grande.
- Adorei. Agora, vamos dar um trato nessa nuca, costas, coxas, e claro, bunda.
- Sim, vai.
Haku deitou o corpo sobre Leslie, e começou uma massagem tailandesa. Haku sabia muito bem como usar as mãos, e estimulava os pontos erógenos de sua presa. Puxou Leslie pelos cabelos, forçando ela a beijá-la virando o máximo possível o pescoço. Começou a beijar sua nuca, descendo pelas costas.
- Que bundão, Leslie. – Haku deu um tapa.
- Ai! Tapa não!
- Tapa sim! – Deu outro.
- Ai! Porra!
- Hahaha. Tá, tá. Sem tapa.
Como estava “na área”, Haku começou a beijar a “derrière” de Leslie. Firme, bem arredondada. Incomum para o padrão europeu. Fez tudo o que quis: beijou, arranhou, apertou, até mordeu, sob uma orquestra de gemidos de alguém inexperiente.
- Ai... Acho que vou...
- Vai. Mas não ainda. – Haku desvirou Leslie, e começou a beijá-la. – Ainda quero aproveitar mais essa boca, peitos. Fecha os olhos.
- Fecho...
- Isso. Vamos brincar de “siga a mestra”. Eu faço, você sente.
- Sim...
Haku foi até os pés de Leslie, tirou a meia e beijou. Levantou sua perna, foi subindo, aos beijos. Parou quando chegou na virilha, dando uma leve puxada na alça da calcinha com os dentes. Apenas o suficiente pro elástico bater contra o corpo de Leslie, provocando suspiros e a sensação de ser ou não toda despida. Repetiu a sessão na outra perna. Quando terminou, subiu sobre Leslie pela quarta ou quinta vez, e se concentrou nos seios e boca.
- Ai... Haku, eu vou...
- Vai, agora pode... – Haku ficou observando o corpo de Leslie se contorcer, quando ela alcançou o clímax.
- Ahhhhhhhhhhhhh!
- Isso. Deixa acontecer. – Haku segurou a mão de Leslie, e então, “aconteceu”.
Aconteceu. E foi muito bom, para ambas. Leslie jamais havia experimentado tantas sensações e emoções ao mesmo tempo. Estava extasiada e exausta. Haku ficou passando as pontas dos dedos em sua barriga, bem levemente, admirando as curvas de sua nova namorada.
- E aí? Como tá se sentindo?
- Ai, acho que “molhada”, é a palavra que descreve melhor, haha.
- Hahahaha, sinal que gostou. Que bom.
- Amei. Foi maravilhoso. Mas por que você não tirou a minha calcinha?
- Porque hoje a gente só brincou um pouco. Não vamos transar tão já. Eu só queria que a gente se divertisse.
- Entendi. Hahaha. Gostou do que viu?
- Digamos que, eu sou o lobo mau e você é uma versão muito mais gostosa da vovozinha.
- HAHAHAHAHAHAHAHA! JÁ ME CHAMARAM DE GOSTOSA, MAS ESSA É A PRIMEIRA VEZ QUE GOSTO!
- Hahahaha, bom você rir. Outro sinal que foi bom. Bem, não sei quanto a você, mas eu tô seca de fome.
- Ai, tô cansada demais pra comer...
- Mas precisa recuperar energias.
- Depois eu como algo. Agora quero é dormir.
- Tá, mas durma só de calcinha. Quero ver esse corpão ainda.
- Humm, tá bom. Safada.
- Hahaha, nem vem porque você também gostou. Bom, estarei na sala, caso precise. Durma bem. – Haku se aproximou e deu um beijo bem demorado em Leslie. Mal saiu e Leslie já cochilava.
Óbvio que Haku havia ficado radiante com a primeira experiência íntima do casal. Era tudo absolutamente recente, mas ela sentia que tal interação era necessária. Haku estava realmente faminta, então comeu bastante. Ainda tinha o gosto de Leslie nos lábios, algo que deu mais sabor a comida.
- Olá, Haku. – A morte resolveu aparecer. Estava apenas de calcinha, e transmutada de Leslie.
- Já chegou a estraga prazeres. Ei, ao menos vista algo no corpo da minha namorada. Mas vai ver você tá com inveja dela ter um corpo lindo, e de você ser como descarga de escapamento de carro velho.
- Haku, este corpo é mesmo sensacional, não acha? – a morte tocava no corpo, insinuando-se. – Tão jovem e inexplorado. Macio. Firme.
- Nela, é mesmo. Mas em você, perde toda a graça. Bom, se veio me amolar, perdeu seu tempo. Por que você não vai dar uma com Hades? Soube que ele come qualquer uma... – Haku deu um gole de saquê.
- Sua insolência por enquanto será tolerada. Mas não pense que “Surii” está à salvo de mim. Posso fazer uso daquele corpinho, se quiser.
- Faça uso de um chute no rabo, e passar bem.
A morte riu, e se desmaterializou. Haku foi até o quarto para ver se estava tudo bem, e viu que Leslie dormia profundamente. Ficou admirada pela facilidade com que dormia, e mais uma vez, pelo corpo que ela tinha. Até pensou em tocar, mas teve medo que ela acordasse. Resolveu então ir até a varanda e fumar um cigarro. O tempo estava nebuloso, temperatura agradável, bem propício para isto. Era tarde da noite, e Haku estava bastante cansada. Resolveu se deitar e dormir. A noite estava completa.
Postado por .Str.s.crm. . às 13:51
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Blut bindet
Londres, 31 de Março de 2009, 14:00: Blut bindet.
Desde o telefonema para Leslie, Bella não conseguia deixar de pensar em sua viagem para Londres. Estava muito esperançosa por uma reconciliação, mas um tanto temerosa por uma recepção fria ou agressiva por parte da irmã mais nova. Bella passou a semana toda se preparando para viajar, mas não podia descuidar-se de seus afazeres e de sua relação com Klaudi, que havia estremecido nas semanas seqüentes a briga com Leslie.
Basicamente, ela só conseguia pensar em como tudo se resolveria após ambas conversarem pessoalmente. Klaudi e ela trataram de comprar algumas provisões para que Bella ficasse o mais confortável possível em sua breve estadia londrina, que seria de no máximo quarenta e oito horas, então não compraram muita coisa. A semana passou como num piscar de olhos, e quando Bella percebeu, já estava se despedindo de Klaudi, rumo à Inglaterra.
O tempo estava bom, então o vôo durou certa de duas horas. Seu coração começou a acelerar quando desembarcou. Não sabia se Leslie a estaria esperando acompanhada ou com as pessoas que a hospedavam. Nem mesmo sabia se ela estaria lá. Felizmente ela havia conseguido o endereço com Yuna, pouco antes de viajar. Enquanto esperava, sentou-se.
- Será que a Leslie vem me buscar? – Enquanto tentava achar um rosto conhecido por dentro da multidão. – Seria bom, porque senão tô perdida.
Bella esperou por cerca de meia-hora, e resolveu procurar um táxi. Quando ela cruzou a porta do aeroporto, se deparou com Leslie chegando. Ela estava sozinha.
Ela levou um susto, pois já imaginava que teria de ir ao encontro da irmã. Por um instante, pensou em abraçá-la, mas por bem, resolveu ser mais discreta e não forçar nenhuma situação.
- Oi, Leslie. – Acenou.
- Oi. Chegou agora? – Leslie foi curta e grossa.
- Sim, acabei de desembarcar.
- Bom, vamos então. – Pegou a mala e seguiu.
- Tá. – Bella a seguiu, aliviada pela não tão agressiva recepção.
As duas seguiram pela rua do aeroporto, até um Civic preto. Dentro do carro, havia mais duas pessoas. Bella não estranhou a aparência diferente de ambas as mulheres, pois estava acostumada a conviver com públicos alternativos. Ela cumprimentou ambas.
- Oi, sou Bella, irmã da Leslie.
- Olá, sou Kohaku. – Respondeu a mais alta.
- Olá, meu nome é Kasumi. – A outra respondeu, após tirar os fones.
Leslie levantou o banco para que Bella pudesse entrar, enquanto acomodava sua mala no porta-malas. Quando se aprontaram, o carro seguiu rumo ao apartamento de Haku. Durante a “viagem”, o silêncio imperou.
Bella ficou admirada com a cidade, era a primeira vez que ia à Inglaterra. Mesmo o céu cinza da cidade a impressionou. Antes que ela pudesse perceber, já estava entrando na garagem do prédio onde Haku, Kasumi e Leslie moravam. Quando o carro parou, Leslie desceu apressada e pegou a mala de Bella. Era nítido que ela estava evitando o contato direto. Haku e Kasumi seguiram tranquilamente até o elevador. O mesmo silêncio do carro continuou no elevador. As quatro no máximo se observavam discretamente.
Se Bella já havia ficado fascinada com a paisagem londrina, ficou ainda mais com o apartamento de Haku. A decoração simples, porém moderna e branca, refletia bem a personalidade da dona.
- Por que não se senta? Deve estar cansada da viagem. – Haku apontou o sofá para Bella, que sentou-se quase imediatamente.
- Obrigada, estou mesmo. Poltrona de avião não é nada confortável.
- Você e L-chan se parecem um pouco.
- Hehe, um pouco.
- Kasumi, talvez elas queiram conversar às sós. Vamos dar uma volta.
- Tá, Haku-sama.
Kasumi e Haku saíram, foram até o empório, deixando Bella e Leslie sozinhas para conversarem.
- Então você veio mesmo...
- Sim, eu disse que viria. Quero resolver essa situação toda.
- É, muitas coisas ficaram em aberto. Até hoje eu não engoli o que você me disse. Achou mesmo que eu estava mentindo?
- Leslie, vou ser bem sincera: achei sim. Nunca esperava ouvir coisas daquele tipo vindas de você. Tudo bem que a gente tenha atritos, mas não imaginava que chegassem neste nível.
- Bella, você ainda não entendeu?
- Calma! Me deixa terminar!
- Tá, continua.
- Então. Eu não entendi no começo, achei aquilo muito surreal. Mas, depois que esfriei a cabeça, comecei a pesquisar sobre o assunto. Você sabe que não acredito em Deus, no sobrenatural. Demorou pra eu poder conceber que isso fosse mesmo possível.
- Bella, sou tão atéia quanto você, mas eu não tinha porque mentir. Nunca tive o hábito.
- Eu sei... Isso que mais me fez ver o quanto eu fui ignorante. Eu, como sua irmã mais velha, deveria te apoiar, não virar as costas feito “Judas”.
- E no entanto, você virou... Sabe o quanto isso ainda me dói? Olha, eu não sei se posso te perdoar, você me magoou demais.
- Entenderia se não perdoasse. Mas eu não posso deixar de tentar.
- Bom, a prerrogativa disso é sua, mesmo.
- Eu gostaria que você me explicasse melhor como isso funciona.
- Mesmo? Ou só pra poder me dizer mais absurdos? Porque se você ousar me ofender, a gente vai ter que resolver isso na base da agressão, porque eu não vou tolerar insultos!
- Calma! Não fica nervosa! Eu falei sério sobre querer entender.
- Se você diz... Bom, comigo é assim: eu estou numa situação aleatória, quando do nada minha visão embaça e vejo coisas na minha frente, como se fosse um filme. Sinto também as coisas.
- Como assim?
- Vamos supor que você caísse no chão e machucasse o joelho.
- Sim.
- Pois então. Eu além de ver você cair, sentiria sua dor, como se fosse comigo que estivesse acontecendo.
- Então você sente tudo o que a pessoa sente?
- Sim, mas no caso a pessoa era EU. Eu me vi fazendo coisas que jamais achei que faria, nem em pensamento. Não te contei porque SABIA que não me entenderia.
- Hummm, e eu acabei sendo tão irracional, ignorante.
- Muito. Você me fez sentir um lixo de gente. – Leslie derrama uma lágrima do olho esquerdo enquanto fala. A voz um pouco trêmula.
- Eu só posso te pedir perdão. Me perdoe por não ser uma boa irmã. – Bella ousou tocar os cabelos de Leslie. – Pode me dar uma chance de me redimir?
- Não sei. Ainda é muito recente pra mim. Eu ainda tô com muito ódio de você.
- Pode ao menos pensar nisso?
- Isso eu posso.
- Bom, fico dois dias em Londres. Ficaria muito feliz se até eu ir embora você tivesse uma resposta pra me dar, mesmo que seja negativa.
- Responderei até você voltar pra Berlim, então.
- Eu espero...
Bella pediu a Leslie para que chamasse um táxi, pois ela precisava achar algum hotel para se hospedar. Bella saiu do apartamento com uma sensação de que a resposta de Leslie seria positiva. Leslie, por outro lado, ficou pensativa, confusa sobre qual decisão tomar.
Achou por bem esperar Kasumi e Haku voltarem, pois queria saber as opiniões delas. Assim que elas voltaram, perguntou.
- Bella me pediu para responder antes que ela volte pra Berlim. Daqui a dois dias. Só que tô tão confusa, não sei o que fazer. O que vocês acham? – Aflita.
- Eu só sei que Kasumi não sabe escolher biscoitos.
- Não! Calma! A culpa não é minha! – Kasumi pega um biscoito e dá para Leslie experimentar. – Experimenta essa droga.
- Kasumi, isso tem gosto de fóssil. Blargh! – Leslie cospe o biscoito nas mãos de tão ruim que era. - Nossa... Então Leslie já comeu fóssil...
- Aham, comi você.
- Se você tivesse comido Haku, tinha morrido envenenada!
- Vou dar um desconto pra Leslie, mas você, Kasumi... Deve calar a boca senão eu conto que você não sabe fechar a porta, hein?
- Porta? What motherfucking porta?
- Nada demais. Só alguns seres que não sabem manter momentos íntimos, intimamente.
- Chega! Vou fazer biscoitos! – Kasumi saiu da sala absolutamente corada.
- Hehe. – Haku deu um riso tímido, porém, emblemático.
- É pra entender o que entendi? E no fim, ninguém me deu uma opinião. – Leslie torceu o lábio, desapontada.
- Eu acho que você deve perdoá-la, pois quanto mais angústia e ódio você guardar, menos nobre você será. Sua irmã foi nobre ao ponto de engolir a ignorância e o orgulho e vir aqui te pedir perdão. Agora é sua vez. Aproveite que você tem uma irmã assim. – Colocou as mãos nos ombros de Leslie.
- Nossa. Você me quebrou agora. Mas tem razão. Por mais idiota que a Bella possa ter sido comigo, se ela realmente não quisesse meu perdão, não teria saído de um país para outro só para atender uma exigência minha. Vai ser duro, mas vou perdoar.
- Será mais duro você passar a vida toda se remoendo de algo que nem você e nem sua irmã tem culpa ao certo. Nenhum de nós sabe o que é isso ao certo. Só sei que já passei pelo mesmo que você. Creio que ela esteja apta a entender agora, e é melhor isso do que ser expulsa de uma família por pura ignorância.
- Haku, te achava inteligente, mas não imaginava que tivesse um conceito tão positivo sobre família. Passo a te admirar daqui em diante.
- Quando você perde, costuma a dar valor a estas coisas, mesmo. Só tenho a Kasumi do meu lado. De resto, tem cerca de trezentas pessoas que gostariam de me ver morta agora, todos familiares meus.
- Nossa. Perto dos seus problemas, o que Bella me fez não foi nada. Vai ver dei importância demais.
- Então relaxe, e vamos ver se a Kasumi não está destruindo a cozinha que inaugurei faz um mês!
Foram para a cozinha, onde encontraram Kasumi preparando a massa dos biscoitos, toda suja de farinha. As palavras de Haku calaram fundo dentro da mente de Leslie, e fizeram com que ela tomasse a decisão de perdoar Bella. Fora isso, estava crescendo um sentimento de admiração por Haku, e já era aparente.
- Kasu. Não entendo porque você insiste em comprar bolinhos industrializados sendo que os seus ficam tão melhores. – Leslie falando de boca cheia.
- É que eles tavam com uma cara ótima, não resisti. Na verdade, eu não resisto a nada doce na rua, mas depois desse “biscoito sabor fóssil”, vou pensar duas vezes antes de comprar o próximo. - Nossa, aquele biscoito tinha gosto de fóssil mesmo. Me senti comendo um biscoito de ossos misturados com terra. – Leslie riu.
- Calma! Não erro mais nisso, gente... Haha.
- Espero mesmo. Não tô afim de criar vermes novos dentro de mim.
- É. Ficam melhores se você mesma fizer.
- L-chan, posso fazer uma pergunta?
- Pode, oras.
- Você é virgem? – Kasumi simplesmente perguntou.
Leslie ficou azul de vergonha. Até Haku ficou sem ter o que dizer perante a pergunta de Kasumi. Um momento de silêncio constrangedor invadiu o ambiente.
- Cof! Cof! Ai, que pergunta Kasumi! Que isso!! – Leslie quase cuspiu o biscoito da boca.
- Ah, foi uma pergunta normal...
- Só sei que sou gay. – Até Haku ficou sem graça.
- “Normal”? Mas nossa, essa foi bem profunda... Tá. Sou sim.
- Viu? Não doeu.
- Mas doerá um dia... – Haku.
- Credo gente! Como vocês são!
- Se for com a Haku, vai doer. Coitada de quem fez algo com ela. Sua gigantona!
- Que horror, Kasumi! – Leslie já estava mais branca do que Danielle, de tanta vergonha.
- Como sabe Kasumi? Você já transou comigo? Melhor tomar cuidado ao dormir do seu lado.
- Gente, como vocês são pervertidas! Nem a Bella é safada assim! E olha que cansei de ver a cara de safada dela pra namorada.
- Eu não tô falando nada demais. Só tô respondendo essa retardada.
- Mas eu só tava com dúvidas, sua bruta! Leslie, vai ser com homem ou com mulher? Eu aconselho mulher.
- PUTA QUE O PARIU!!! VAI QUERER ME DESVIRGINAR TAMBÉM? QUE HORROR! – Leslie ficou indignada com a perversão de Kasumi. Haku apenas se levantou rindo de Kasumi, enquanto ia pegar café.
- Não, Leslie! São apenas dúvidas normais que pairam sobre minha cabeça. Mas, pegue a Haku, quem sabe assim o humor dela melhora.
- Kasumi, querida? Vai se ferrar?
- Tá, parei... Mas é um bom partido.
- Bom? Você acabou de chamá-la de bruta.
- Ei, ei, ei, ei, ei!
- Não é mesmo, eu tô zoando. É um péssimo partido que vai morrer virgem.
- Kasumi, definitivamente, você não é normal. – Haku olhou com cara de quem concordava.
- Vão se ferrar, suas virgens!
- Haha, falou A profissional do sexo.
- Melhor eu ficar quieta... – Haku, antes de tomar seu café.
- Mas L-chan, me impressiona uma garota como você ser virgem ainda, pois é tão bonita. Tá, reparei sim, normal isso. Pra falar a verdade, quando te vi, não dava uma semana pra você dar em cima de mim e da Haku.
- Vou estender minha roupa, licença... – Haku saiu, rindo.
- Kasumi, não sou puta. E você pelo visto não é nada santa. Aquilo de “não fechar a porta”, ficou bem claro.
- Não! Não tô te chamando de puta, L-chan! Só disse que foi a impressão que tive de você pela primeira vez por ser tão bonita! Não foi minha intenção, desculpa!
- É que no Japão, mina muito bonita costuma ser “meio” vaca. – Haku, já voltando da área de serviço. Tinha ouvidos de tuberculoso. Quando voltou, olhou firmemente o rosto de Leslie. Seus olhos estavam bem inquietos, como ansiando algo.
- E bom, “aquilo” foi um erro... Preciso fechar a porta da próxima.
- Tá, tudo bem. Esse é o estigma por ser loira. Mas enfim, nunca transei, nem namorei ninguém. Sei lá, os caras que conheci até hoje não eram muito sérios, nem confiáveis.
- Não se preocupe. Quando você menos esperar, “tcharã”, fez. E com quem menos espera. Comigo foi assim.
- HAKU! PRA QUEM VOCÊ DEU?
- Pra sua mãe, otária.
- Baka!
- Hahahaha. Isso que dá ser enxerida, Kasumi. Toma esporro mesmo.
- Mas eu sei quem foi! Foi a sua mestra! Há-há!
- Humpf. – Haku ficou sem graça e foi para o quarto. Leslie e Kasumi riram da cara engraçada que ela fez.
Kasumi acabou tocando num ponto que mexia com Haku: sua mestra. A relação entre ambas acabou de maneira conturbada, quando sua mestra foi encontrada morta, sob circunstâncias desconhecidas.
Haku ficou no quarto por um tempo, e só saiu na hora do jantar. Parecia bem, mas todas resolveram não continuar o assunto da tarde. O resto da noite transcorreu tranqüilo, exceto por Leslie se sentir um tanto invadida pelas curiosidades de Kasumi. Ela também ficou pensando em tudo que havia conversado com Haku, e ratificou sua decisão de perdoar Bella. Aquele mal-estar já havia perdurado demais.
Leslie se deitou para dormir cedo, por volta das onze da noite, dizendo sentir cólicas. Mesmo sentindo dores, conseguiu dormir. Durante o sono, voltou a sonhar, coisa que não se lembrava de fazer desde antes de começar a ter visões. Sonhou estar em casa, com seu pai e sua mãe, num aniversário distante, quando ainda era bem pequena. Leslie havia bloqueado lembranças de sua mãe, pois nunca aceitara bem sua morte. Mas, mesmo sonhando sobre coisas que tentava esquecer, o sonho foi agradável, e ela acordou sentindo-se bem e feliz. Pensou em ligar para Bella, mas achou que era cedo, então resolveu tomar café e esperar até mais tarde.
Depois de comer, resolveu fazer exercícios. Leslie não costumava ir à academia, pois achava muito movimentadas, então preferia fazer exercícios em casa. Deitou-se no tapete e começou a fazer flexões. Ela costumava fazer uma média de duzentas por dia. Enquanto fazia, Haku a observava, ainda pensativa por sua mestra. Leslie não notou sua presença, então Haku pôde ficar observando seu corpo por algum tempo.
De fato, ela tinha formas generosas, além do padrão europeu. Quando Leslie se virou para fazer alguns abdominais, Haku já havia saído. Ela passou rapidamente pelo escritório, e deu um bom dia para Haku. Depois passou pela cozinha, cumprimentou Kasumi. Dados os cumprimentos, Leslie sentiu uma vontade estranha de se arrumar, então caprichou no banho e escolheu um figurino mais bonito. Se arrumou como quem fosse sair, mas passou a manhã em casa.
Resolveu vestir um vestido, coisa que quase nunca fazia. Meias, caprichou na maquiagem, até colocou botas. Diferente do seu visual habitual, até parecia outra pessoa. Seu visual rendeu olhares curiosos das moradoras do apartamento.
- Caramba! Então tá, hein, Leslie? Desculpa aí...
- Haha, que foi? Não posso me arrumar um dia? Cansa só vestir trapos.
- Não vou mentir que você me inspirou a me vestir melhor. – Haku, quando veio pra sala.
- Bom, eu só quis me arrumar um pouco. Levantar a auto-estima. Tô parecendo a Bella, haha.
- Está bonita. Não que não estivesse antes. Ah, você entendeu.
- Um “pitél”.
- Valeu, gente. A gente podia aproveitar e sair. O dia está bom.
- Tudo bem, já terminei meu trabalho, mesmo. Agora estou livre por três meses.
- Nossa! Que Workaholic!
- Alguém precisa te sustentar, né, pirralha...
- Ótimo! Mas... Aonde vamos?
- Na Tomoko, assim tenho momentos de paz e Kasumi tem momentos de... Erm.
- Haku, cala a boca!
- Tomoko?
- É. A dona de um empório que tem aqui em Londres.
- Ahhh. Deve ter muita coisa interessante, então. Sempre vou a uma feira oriental em Berlim.
- Então vamos.
Haku e Kasumi saíram para se vestir, e Leslie esperou, assistindo tv. Quando elas ficaram prontas, as três saíram, rumo ao empório. Felizmente não era longe do apartamento. Quando chegaram, Leslie ficou encantada pelas lanternas Chouchin e pelas colunas que cercavam a entrada do lugar. O empório se chamava “Umeko”, e de longe se sentia um cheiro bom de chá.
A dona do empório se chamava Tomoko, e era uma velha amiga de Haku. Lá também trabalhava Nanase, neta de Tomoko, que dividia todas as tarefas do lugar. Leslie ficou encantada pela beleza do estabelecimento, da decoração e beleza das peças expostas na vitrine.
A decoração contava com móveis feitos de bambu, futons, bonsais. Também havia alguns sofás orientais, o chão todo feito de tatamis. Havia também uma linda mesa de chá, localizada próximo ao centro do lugar, várias prateleiras e mesinhas para degustação de diversos pratos e guloseimas japonesas.
O que mais chamava atenção era a área onde havia vários biombos e uma sombrinha enorme japonesa, fazendo sombra a dois futons, dando um ar muito aconchegante. As cores eram sempre claras, com exceção da madeira mais para tons caramelo, tudo impecavelmente limpo e arrumando, enchendo os olhos de qualquer pessoa que entrasse.
- Pelo cheiro, Tomoko deve estar preparando o chá. – Haku estava acostumada a ir ao empório esta hora. Sempre se divertia lá.
As três entraram, e foram recepcionadas por Nanase, Tomoko, e mais ao fundo, Sayako, também neta de Tomoko, que igual Leslie, era recém chegada à cidade.
- Nossa, pelo visto a Special Effects andou distribuindo tinta de graça por aqui. – Haku riu da cor dos cabelos de Nanase e Saya, apelido de Sayako.
- É, pintei de rosa, hehe. Oi Kasumi. E você? Quem é? – Nanase apontou para Leslie.
- Não responderei às suas provocações, Kohaku. – Saya, mal-humorada, respondeu.
- Sayako, não responda à Haku. Ela é nossa convidada. – Tomoko repreendeu Sayako levemente. Tinha uma voz e um olhar tranqüilos.
- Sorte a Haku e eu termos nascido com cabelos naturalmente azuis. – Kasumi se vangloriou dos cabelos.
- Bom, eu sou Leslie. Estou hospedada na casa da Haku.
- Só que o seu é meio “vencido”, Kasumi. – Disparou Saya.
- Vá à merda, vaca.
- Hehehe, se acomodem, vou buscar algo para comermos.
Tomoko apontou os futons, para que todas sentassem. Leslie estava um tanto constrangida, afinal era tímida, mas estava adorando o lugar.
- Você disse que está hospedada no apartamento da Haku? – Tomoko, voltando com uma bandeja grande com chá e “onigiri”, bolinhos de arroz.
- Sim. Vim para Londres para melhorar meu inglês. Sou alemã, na verdade.
- Verdade? De que cidade? – Tomoko ofereceu uma xícara a todas, e uma a uma foram se servindo.
- Berlim.
- Berlim? Deve ser uma bela cidade.
- Sim, mas é fria, hehe.
- Você gostaria de Berlim, Tomoko-san. Lembra bastante Londres.
- Um dia irei lá. Aproveito e levo minhas netas para conhecerem. Aliás, apresentem-se direito pra Leslie, meninas.
- Erm... Oi. Pode me chamar de Saya... E... Bom, te admiro por morar com Kasumi e resistir.
- Aupft. – Haku segurando para não rir.
- Sua estúpida! – Kasumi mostrou a língua para Saya.
- Oi, Leslie. Pode me chamar de “Nana”. Gostei do seu estilo.
- Haha, obrigada. Faz tempo que vocês tem o empório? Adorei a decoração!
- Faz sete anos que abri esse empório, com muito suor. Hoje estou com a minha vida e a das minhas netas garantida.
- Me adota?
- Mais fácil você me adotar, Haku. Sua família que é podre de rica. – Tomoko riu.
- Acho que o dinheiro mexeu com o cérebro da Kasumi. – Saya, apontando e debochando. Ela saiu da conversa, irritada.
- Hahaha, não esquenta, Leslie. Aqui é SEMPRE ASSIM.
- Ah, já me acostumei. A Haku todo dia pega a Kasumi pra cristo. Acho que até eu estou pegando a mania dela.
- Já volto. Fiquem a vontade enquanto pego umas tortas.
Tomoko saiu, mas a conversa continuou animada.
- Qual a idade de vocês? Desculpem a curiosidade, mas é que parecem mais novas do que eu.
- Tenho vinte e um. – Nanase, enquanto mexia no cabelo.
- Tenho vinte e um, também. Obrigada pelo elogio. – Saya.
- Acho que sexo rejuvenesce... – Haku, enquanto olhava fixamente para Saya.
- Credo, Haku. Você pensa em sexo tanto quanto um homem pensa. Ah! Nanase! Já pintei o cabelo de rosa, também! Como você faz pra que ele fique tão bonito? O meu ficou uma lástima!
- Tenho motivos pra ficar pegando no pé...
- Esquece isso, cara! É doloroso pra mim. – Saya se incomodou, por alguma razão.
- Erm... Hahahahahaha. Bom, eu descolori de pouco em pouco, e a Haku que pintou pra mim, ela entende dessas coisas.
- É a vida... Nunca fui pra cabeleireiros, então tive que aprender na raça.
- E pelo visto você aprendeu bem. O que deu na Kasumi? Está parada, olhando pela vitrine.
- Não tenho nada... – Kasumi ficou observando uma garota que passava em frente ao empório. Saya fechou a cara ao ver.
- Uia! Ciuminho juvenil! – Haku sempre implicava com Saya.
- Não é ciúme. Eu... Eu simplesmente acordei de mau-humor hoje. Talvez seja a falta de treino.
- Demorou pra você pegar na espada, então.
- Senti malícia nisso, Hakushima.
- Sentiu porque é maliciosa, ué.
- Gente, vocês me assustam. – Nanase ficava pasma com as conversas.
- A mim também. Cruzes. – Leslie se levantou e foi até Kasumi. – Tudo bem? Parece chateada.
- Não, eu não ligo.
- Bom, se você diz...
Leslie e Kasumi ficaram conversando, observando o movimento da rua. Enquanto conversavam, Haku frequentemente desviava o olhar em direção a Leslie, fato que Tomoko e Saya notaram.
- Ela é bonita. Não é, Kohaku? – Tomoko observava o olhar de Haku, enquanto tomava chá.
- Sim, é. – Haku ainda olhava.
- Por que não fala com ela?
- Falar sobre o que, Tomoko-san?
- Kohaku, querida, você não me engana. Mas parece que ainda está espreitando.
- Eu? Eu não espreito. Só estava olhando.
- Kohaku Hakushima apaixonada? Uau! – Saya aproveitou para dar o troco pelos inúmeros sarros que Haku tirava dela com Kasumi.
- Cala a boca, gafanhota. Vai treinar um pouco pra ver se você ao menos segura a espada corretamente.
- Haha. Haku, não ligue para Saya. Você devia aproveitar o dia propício e tentar uma aproximação.
- Tomoko-san, me sirva mais chá, por favor.
Tomoko era uma mulher bastante vivida, e havia lido muito bem a situação. Ela tinha certeza que Haku tentaria uma aproximação de Leslie, assim que tivesse uma oportunidade.
Depois que todas beberam e comeram, Tomoko pediu a Saya, Nanase e Kasumi que ajudassem com os pratos e xícaras, deixando Haku e Leslie sozinhas. Leslie, naquele momento, observava a luz da lua pela vitrine, embora fosse cedo.
- Vai nevar... Vai ser uma versão fria do inferno. – Como Tomoko previa, Haku se aproximou de Leslie.
- Haha, eu adoro o frio. Minha época favorita do ano. Enquanto Leslie falava, Haku assoprou o vidro da vitrine. Ficou totalmente embaçado.
- Ainda bem que ficarei de férias o ano inteiro. Trabalhei feito a formiga da fábula da cigarra.
- Nossa, que coincidência. Minha mãe sempre lia esta fábula pra gente, quando éramos pequenas. Sempre me imaginei sendo uma das formigas. – Leslie passou a mão no cabelo.
- Que legal que alguém leu pra você.
- Pois é. Nossa, esfriou.
- Já passei tanto frio na minha vida que hoje em dia nem sinto tanto frio assim.
- Como era a sua vida no Japão? Você nunca fala nada sobre você.
- Foi um inferno. Foi o molde de tudo o que sou hoje. Um casco vazio e traumático.
- Bom, eu não te acho vazia. Só triste. Aliás, acho que você tem muitas coisas interessantes pra mostrar.
- Eu nunca senti isso... Tristeza... Mas sinto coisas piores, e eu tenho certo receio... – Haku olhou Leslie com olhos desejosos.
- Receio de que?
- De me aproximar de você... – Haku intensificou o olhar.
- Mas por quê? Eu não mordo, haha.
- Infelizmente, eu arranco pedaço.
- Ui, que canibal. Te aviso que minha carne é bem dura. – Leslie estava começando a entrar no jogo.
- Haha. – Haku baixou a cabeça, pensativa. Falar do Japão sempre fora doloroso pra ela.
- O que houve? Disse algo que não devia?
- Não, Leslie. O problema não é com você, é comigo. Comecei algo que não devia.
- Não entendo porque você diz isso. Não fez nada demais.
- É uma longa história. Talvez eu te conte um dia. – Pondo a mão no rosto. – Tem a ver com revoltas sobrenaturais e muita dor.
- Bom, não somos tão diferentes. Por enquanto minhas visões pararam, mas creio que voltarão.
- Voltar, sempre voltam. Mas se você ficar atenta, voltam menos.
- Humm, eu espero que sim. Acho que Londres fará muito bem pra mim, eu sinto isso.
- Você fez bem pra mim, haha.
- Fiz, é? Como? Bagunçando sua casa e te dando gastos? – Leslie riu.
- Dando um sentido diferente na minha vida, talvez.
- Sentido? Eu? Que sentido poderia te dar?
- Um mais alegre que o óbvio: minha infelicidade.
- Você pode mudar isso. Deveria saber...
- Haha, é que você não sabe de nada. É chato quando se sabe o próprio destino.
- Como saber isso? Seu destino é você quem faz.
- Não no meu caso. Ele já foi traçado. Mas enfim, um dia você entenderá.
- Traçado? Você pode mudá-lo agora mesmo, se quiser. Se tem algo que aprendi na vida, é que nada é imutável, tirando a morte.
- Mas é aí que tá o problema. Eu sou a reencarnação dela! Hahahahahaha!
- Ah é? Pois, segundo Shakespeare, morrer era ter um orgasmo, sabia?
- Não significa que eu vou morrer, Leslie. Significa que eu posso matar.
- Nossa! Morri de medo, ó! Eu me vi matando minha irmã, você ser uma assassina não me assustaria.
- Ah... Nunca disso isso, mas... Foda-se então, né.
- Ui, a tigresa está afiando as garras, haha. Você não me assusta, Kohaku Hakushima.
- É difícil quando você tem seu destino traçado nas costas. – Haku se aproximou mais de Leslie, cochichou ao seu ouvido e passou a mão levemente em seu rosto.
- Sei... Você não me parece mais tão decidida. O frio apagou sua chama?
- Tá ficando folgada, branquela. – Haku encostou Leslie contra a vitrine, e disparou um sorriso sarcástico.
- Branquela, eu? Hahahaha. Você é praticamente transparente. Mas uma coisa não entendi: isso de reencarnação da morte.
- Vem, vou te mostrar.
Haku pegou Leslie pela mão e levou até o escritório de Tomoko.
- Vou fechar a porta, porque quero que você veja uma coisa. – Haku virou de costas e tirou a camisa. – Isso aqui nasceu comigo. – Leslie pôde ver o enorme kanji nas costas de Haku.
- Como assim “nasceu comigo”? Não sabia que tinha uma tatuagem tão grande.
- Lembra que eu disse que nasci amaldiçoada? Pois bem. Nasci com isso, e o kanji muda de significado às vezes.
- Nossa, não me lembrava. Tatuagem impressionante. Dá até medo.
- Experimenta tocar nela. Leslie se aproximou, pos a mão na tatuagem e uma gota de sangue escorreu.
- Credo! Saiu sangue! – Pos a mão na boca.
- É... A tatuagem sangra se tocada por alguém.
- É por isso que você evita contato?
- Não somente por isso, mas... – Vestiu-se novamente. – Não tô com saco pra falar disso agora. – Se aproximou de Leslie.
- E falaremos do que, então? A propósito, cadê todo mundo?
- “Morreu”. – Haku se aproxima mais e pega a mão de Leslie. – Desculpe se sujei você, mas se ter contato comigo sangra, vou te sujar mais, então. – Rostos próximos.
- Hã? Não entendi. – Leslie solta sua mão.
- Não precisa...
Haku sorriu, pegou no rosto de Leslie, e antes que ela pudesse dizer algo, Haku a beijou apaixonadamente. Leslie não beijava ninguém havia meses, e jamais havia beijado uma mulher. Haku, senhora da situação, a encostou contra a parede, segurou sua cintura com uma das mãos e a nuca com a outra. As duas ficaram tal envolvidas, que era difícil definir onde terminavam os lábios de Leslie e onde começavam os de Haku. Haku a segurava firme, para que não fugisse do encontro, mas de maneira terna. Leslie mentalmente estranhava o que estava fazendo, mas Haku a havia dominado, como uma raposa dominando sua presa.
Os beijos eram tão fortes e intensos que chegavam a estalar, como fogos de artifício numa noite de festa. Haku era vigorosa, mas respeitava Leslie, não passava por nenhuma de suas generosas curvas, pois sentia que isso deixava Leslie mais segura e a vontade.
Ficaram daquele jeito por alguns minutos, quando a própria Haku resolveu deixar Leslie se soltar. Evidentemente que ela ficou confusa, mas intimamente adorou o gosto dos lábios da japonesa. Leslie sentiu toda a força de suas pernas se esvair, e teve de se sentar. Estava tão pasma pelo acontecido, que mal conseguia raciocinar.
Haku, vendo que essa era sua grande chance, apenas deu um refresco momentâneo para Leslie, e tratou de partir para nova investida. Sem cerimônia, envolveu Leslie em seus braços, a pegou no colo e pos sobre a mesa, pois era difícil para ela, pela estatura elevada, alcançar Leslie. Difícil descrever o momento. Imaginem dois namorados muito apaixonados, experimentando as primeiras sensações conjuntas. O medo dando ainda mais sabor aos beijos e abraços. Mãos que tremem e se entrelaçam, dando proteção uma à outra.
Duas energias se atraindo e se repelindo, como dia e noite. Palavras não explicavam, apenas tentavam traduzir as sensações. Haku enfim pôde demonstrar toda a força de seus sentimentos, que sempre mantinha escondidos por trás de uma muralha de aço, dor, ressentimento e morte. Leslie aceitou tudo o que ela queria lhe dar, talvez por se sentir da mesma maneira durante toda sua vida. Os beijos agora se misturavam a risos, sensações de felicidade. Leslie e Haku eram como uma única pessoa. Vivendo, amando, sentindo, tudo numa coisa só. Leslie, por outro lado, estava se sentindo realmente uma mulher, não apenas uma estudante exótica.
Enquanto elas aproveitavam o momento, que era tão esperado por ambas, mesmo inconscientemente, o que Haku mais temia e procurava evitar, aconteceu: a morte, que era idêntica a Haku, exceto pelos cabelos negros e olhos vermelhos, se materializou dentro da sala, e ficou observando a cena. Por um instante, Leslie abriu os olhos e a viu.
Assustada, Leslie se soltou de Haku.
- QUEM É ELA?? – Apontando para a morte.
- Quem nós encontramos no final da vida... – Haku teve que se resignar, pois sabia ser inevitável. - Pois bem...
- Mas como? Ela é idêntica a você! – Leslie desceu da mesa, incrédula.
- E também a você. – A Morte se transmutou na forma de Leslie, inclusive vestindo as mesmas roupas. – Também sou igual à Kasumi. – Transmutou-se nela. Aliás, sou igual até a sua mãe, se quiser.
- E então? - E então que só vim te lembrar das conseqüências. Mas, é você quem sabe... Você sabe quem sairá machucado... – A morte puxou uma cadeira e se sentou.
- Ok. Se era isso que você tinha pra me dizer, pode ir embora. Você tá assustando ela. Além do que, eu sei o que estou fazendo.
- Hum... Que bom que posso contar com você, Haku...
Leslie apenas observava a cena, sem saber o que dizer ou fazer.
- Erm, então, SOME. – Haku estava tão acostumada com a morte, que já conseguia rir dela.
- Já tô indo. Divirtam-se, mortais... – A morte se levantou e atravessou a parede.
Depois que a morte saiu, Leslie conseguiu voltar a falar.
- Nossa, o que foi aquilo? Não consigo acreditar! – Pasma.
- A morte. Ela vem me visitar, às vezes. Na verdade, temos muito o que conversar ainda, Leslie... – Haku ajeitou os cabelos, enquanto falava.
- É... Temos mesmo... Eu não sei direito o que aconteceu aqui. Muita coisa ao mesmo tempo.
- Sinto que minhas costas estão quentes... – Haku passou a mão nas costas, e voltou cheia de sangue. Era a “Marca da Morte”. – Putz.
- Você tá sangrando?? Você precisa de curativos!
- Não dói, e não adianta colocar curativos. Só para com um bom banho. – Pensativa. – Eu tinha feito algo pra que isso não acontecesse.
- Ai. Tô tonta... Não tô me sentindo bem... – Leslie sentiu-se estranha, talvez pela cena que presenciou.
- É normal essa reação. Você só precisa respirar fundo e lembrar que tá viva. É que você deve ter se esquecido.
- Não é isso, é que eu tenho pressão baixa. Preciso me sentar. - Leslie jogou o corpo sobre a mesa e se sentou. Normalmente voltava rápido ao normal.
Apesar dos pesares, o restante da noite transcorreu normalmente. Haku e Leslie voltaram para a área principal do empório, a tempo de testemunhar uma conversa animada sobre como Kasumi era desastrada e derrubava coisas. Fato tal, que se não tivesse sido a agilidade de Saya, ela teria derrubado um vaso. Vários pensamentos invadiram a mente de Leslie: o que havia acontecido com Haku, como ela lidaria com isso e a morte. Leslie só tinha tido visões até o momento, não um contato tão profundo e direto com o sobrenatural. Naquela noite, ela não conseguiu dormir.
Postado por .Str.s.crm. . às 17:05
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Trauer und Bedauern
Berlim, 24 de Março de 2009, 2:00 da manhã: Trauer und Bedauern
Fazia apenas quatro dias que Leslie havia ido para Londres, e a casa dos Himmenfeld vivia praticamente inabitada. Johan ainda estava em Paris, e ficaria por mais alguns dias fora. Desde o incidente com Leslie, Bella raramente ficava em casa. Passava a maior parte dos dias no apartamento de Klaudi, tentando esquecer do ocorrido.
- Sem sono de novo, Be? – Klaudi, ainda com os olhos embaçados, perguntou, ao ver Bella sentada na cama.
- Não, por mais que tente, não consigo fechar os olhos.
- Ainda o mesmo problema?
- Sim.
Klaudi então se levanta e cobre Bella, pois fazia frio aquela madrugada.
- Amor, você precisa dormir. Deita, está frio.
- Como se eu conseguisse. Faz dias que praticamente não durmo.
- Não come direito, também. Vai acabar doente.
- Não tenho tido muita fome... – Bella olhou Klaudi com olhos tristes.
- Bom, você sabe o que eu acho. A solução pro seu problema está numa simples ligação. Por que não liga logo pra Leslie e se desculpa pelo que disse? Eu acredito no que ela falou, você sabe.
- Não sei como ela reagiria ou se me atenderia. A discussão foi muito séria, e por culpa minha.
- Duvido que não atenderia. Certamente ia te xingar, mas ao menos você teria tentado. Não gosto de te ver assim.
- Ai, não sei se ligo ou não.
- Bella, faz quase três semanas que a discussão rolou. Você acha mesmo que ela não falaria nunca mais com você?
- Klaudi, eu tenho medo disso acontecer. Tirando ela, só tenho meu pai.
- Por isso mesmo você precisa fazer as pazes com ela. Já se culpou demais pelo que aconteceu. E Bella, você sabe que ela não mentiu.
- Preciso de mais tempo, não tô pronta pra isso, ainda.
- E vai ficar mais dias sem dormir e sem comer? Ah não, você vai ligar sim, e será hoje. Nem que eu precise te socar pra isso.
- Klaudi, e se ela me odiar?
- Foda-se! Além do mais, será um preço a pagar pelo que você fez. Só te restará se conformar e mais adiante tentar se redimir.
- Falar “foda-se” é muito fácil.
- Muito fácil é você ficar acomodada esperando que ELA te ligue, sendo que VOCÊ errou com ela, não acha?
- Nem sei mais o que achar! – Bella elevou o tom de voz.
- Ah, Bella, não seja idiota, né? Se quer ficar sofrendo por puro orgulho, fique. Eu vou dormir! Boa noite!
Klaudi voltou a deitar-se, virando para o outro lado da cama. As palavras dela deixaram Bella pensativa, mais do que já estava.
Quando Bella conseguiu dormir, já era dia. Enquanto dormia, sonhou com a infância dela e de Leslie, quando brincavam no jardim da primeira casa que tiveram. As duas eram bastante unidas, mas as personalidades divergiam em vários pontos. O sonho de Bella ainda mostrava sua mãe, Yuki, levando ambas no colo para dentro de casa, debaixo de chuva. Mesmo com a chuva, as três sorriam.
A falta da mãe para ela era igual a falta para Leslie, mas Bella falava dela mais abertamente.
Durante a manhã, Klaudi se levantou e foi para o trabalho, deixando Bella ainda dormindo. Klaudi era muito apaixonada por Bella, mas odiava a imaturidade que ela muitas vezes demonstrava. Sempre quis que Bella viesse morar com ela, mas em circunstâncias mais agradáveis que a atual.
Klaudi trabalhava como estagiária numa empresa de advocacia, em meio expediente. Enquanto ia para o trabalho, pensou em como sua relação com Bella andava estremecida depois do desentendimento dela com Leslie, e da revelação de suas visões.
Passou o dia pensando em como fazer Bella ligar para Leslie e findar definitivamente a situação que incomodava ambas, o que lhe rendeu broncas do supervisor pelo atraso na revisão de alguns processos. Estava tão preocupada que mal percebeu o tempo passar.
Enquanto isso, no apartamento dela, Bella olhava incessantemente seu celular, tentando tomar coragem de ligar para a irmã. Ainda estava vestindo uma camisola que sempre vestia para dormir. Cabelos ainda desarrumados. Apertou o botão correspondente ao número dela na memória do celular diversas vezes, mas o medo de ligar era maior. Decidiu então, tomar um banho, trocar de roupa e fazer algo para comer. Bella não tinha emprego fixo, trabalhava criando roupas, que vendia em seu site, o 8fu.de. Sua especialidade eram espartilhos.
Como Bella levantou tarde, preocupou-se em almoçar bem, pois passaria o restante da tarde trabalhando em encomendas.
Havia pelo menos três em espera, então ela não podia perder mais tempo. O problema é que Bella não conseguia se concentrar como antes. Já que ela não tinha escolha, precisava enviar as encomendas até o fim da semana, resolveu meter a cara no trabalho. Ficou trabalhando até a hora que Klaudi voltou.
- Be! Bom ver você trabalhando! – Klaudi largou sua bolsa num sofá e deu um beijo em Bella.
- É, hehe. Tenho bastante coisa pra entregar. Não posso perder mais tempo.
- Muitas entregas, é?
- Sim. Vou ficar ocupada mais um tempo, se importa?
- Não. Só preciso de um banho e jantar.
- Ah, tem comida pronta, só você esquentar.
- Tá. Depois quero um tempo pra nós duas. – Ela riu, enquanto lançava um olhar malicioso sobre Bella.
- Hahaha, quando eu terminar aqui. Klaudi saiu e foi tomar banho. Tratou de se preparar para ter uma noite romântica com Bella. Quando ela saiu do banho, um cheiro de perfume inundou a casa.
- Adoro esse perfume. – Bella, ao terminar as encomendas, toda cheia de pedaços de couro e linha.
- Eu sei, usei ele para você, Be. Ultimamente a gente não tem feito nada juntas.
- É. Eu pensei no que você me disse ontem, e vi que tem razão.
- Então você vai ligar pra Leslie?
- Vou, mas antes quero ficar com você.
Bella foi ao encontro de Klaudi e elas se beijaram apaixonadamente. O desfecho da cena é fácil concluir. Passaram o restante da noite matando as saudades, coisa que Bella não conseguia fazer, culpa de seu arrependimento pela briga com Leslie.
Na manhã seguinte, sábado, os humores de ambas eram outros. Porém, a dúvida ainda persistia na mente de Bella, embora em menor proporção.
- BOM DIA, MEU AMOR! – Klaudi saltou sobre a cama, segurando uma bandeja. Havia preparado o café da manhã com coisas que Bella adorava comer, como croissants, geléia de damasco, leite.
- Bom dia, linda! Você me deu um susto! – Bella, ainda esfregando os olhos. – Nossa, que café mais caprichado! Amei! – Bella passou a mão no rosto de Klaudi, finalmente voltando a sorrir.
- Que bom! Agora trate de comer.
- Sim, eu vou.
As duas ficaram na cama até o início da tarde, apenas conversando e trocando carinhos. Bella não conseguia esconder certa ansiedade em ligar para Leslie.
- Está pronta, Be?
- Ai Klaudi, não posso dizer que sim, mas preciso me redimir. Disse absurdos aquele dia.
- Disse mesmo. A Leslie não merecia aquilo de você...
- Eu sei. Demorei, mas percebi meu erro. Bom, meu coração tá acelerado, haha.
- Eu tô aqui. – Klaudi passou as mãos nos ombros de Bella, encorajando a namorada.
- Não sei o que seria de mim, sem você, te amo.
- Te amo, também. Agora liga.
Bella curvou o corpo na cama, para poder alcançar à cômoda, e pegou o celular. As mãos meio trêmulas, mas tomou coragem e discou o número. Uma voz forte respondeu.
- Alô?
- A-alô? Leslie? – Bella não conseguia evitar gaguejar.
- Não, aqui é uma amiga dela.
- Ela está? Sou Bella, irmã dela.
- Ah, você é a ruiva mimada que achou que ela tava mentindo? “Prazer” em te conhecer.
- Desculpe. Com quem eu falo?
- Fala com alguém que te acha uma babaca por dizer aquelas barbaridades pra Leslie.
- Eu quero falar com minha irmã, não com VOCÊ.
- Ela não está. Passar bem. – Desligou.
Bella ficou atônita com a agressividade da pessoa que atendeu, mas pelo voz percebeu que não era Leslie. Klaudi assistiu à cena, sem entender nada do que se passava.
- Ai! Que ódio! – Bella jogou o celular longe.
- Calma. O que aconteceu?
- Alguém atendeu o celular da Leslie e ficou me xingando! Pode isso?
- Mas o que a pessoa disse?
- Ah, me xingou apenas e disse que ela não estava.
- Que horror. Mas, Be. Se a pessoa te xingou, é porque Leslie contou da briga.
- Eu só não fico mais irritada porque sei disso.
- Liga outra hora. Vai ver ela atende.
- É. Vou dar umas horas e ligo de novo.
A raiva pelo telefonema passou logo. Bella e Klaudi tinham a tarde livre e resolveram passear por Berlim. O dia estava frio, mas agradável. Voltaram no fim da tarde, depois de irem ao cinema.
- Vou ligar de novo. – Bella mal deixou a bolsa no sofá e já saiu com o celular em punho. Ela discou e aguardou.
- Alô? – O sotaque entregou que Leslie havia atendido.
- A-alô? Leslie?
- Bella?
- Oi...
- Ué, eu ressuscitei pra você?
- Leslie, eu liguei pra te pedir desculpas.
- Pelo que? Por me chamar de mentirosa ou por dizer que nunca mais queria me ver na vida?
- Pelos dois. Eu tive tempo pra refletir e vi que fui muito injusta com você. Podemos conversar?
- Conversar? Mortos não falam, não sabia?
- Por favor...
- Tá, fale.
- Bom, eu pensei bem, e vi que errei. Mas foi complicado assimilar aquelas coisas todas. Eu nunca acreditei em sobrenatural ou paranormal. Você sabe disso.
- Isso me diferencia de você. Se você tivesse me contado que tinha visões, eu poderia até não acreditar, mas respeitaria. E não foi isso o que você fez. Preferiu achar que eu era uma psicopata ao invés de ao menos me dar benefício da dúvida.
- Eu sei. Eu quero te pedir perdão por tudo. Esses dias longe me fizeram mal.
- TE fizeram? E quanto a mim? Tachada de mentirosa, psicopata. Bella, como você simplesmente quer que eu te perdoe?
- Não sei, mas quero minha irmã de volta. Já paguei um preço pela minha ignorância.
- Na boa, Bella. Mas um simples telefonema não basta pra mim. Se você quer “sua irmã de volta”, vai ter que vir aqui e falar comigo pessoalmente.
- Pessoalmente?
- Claro, queria o quê? Se quer que te perdoe, vamos ter muito o que conversar.
- Quando você pode me ver?
- Apenas venha logo. Sinceramente? Eu sinto que deveria te mandar pro inferno de vez, mas ainda há um lado meu que quer te ver. Se você realmente gosta de mim, terá de provar.
- Certo, como você quiser. Irei pra Londres ainda essa semana.
- Então nos falamos quando você chegar. Me ligue assim que pousar aqui.
- Ok.
- Tchau.
- Tchau...
Após Bella desligar, Klaudi entrou no quarto.
- E aí? Be? Como foi?
- Bom, ela disse que se eu quero que ela me perdoe, terei que ir pra Londres. – Bella resignou-se.
- E você irá, né?
- Sim, só preciso entregar minhas encomendas, arrumar malas e marcar um vôo.
- Vá, sim. Tudo se resolverá.
- Sabe, a Leslie foi bem seca comigo, mas fiquei esperançosa por ela querer me ver. Isso deve ser bom sinal.
- Com certeza! Quer que eu vá?
- Klaudi, desculpa, mas desta vez, não. Preciso resolver isso sozinha.
- Não precisa se desculpar, você tá certa. Vou torcer pra que dê tudo certo!
- Valeu, amor!
As duas se abraçaram. Seria esse o início do fim do ciclo de dor e arrependimento? A resposta está em Londres.
Postado por .Str.s.crm. . às 16:56


